Outono folhas caídas
com sangue Deus as pintou
folhas tão cedo nascidas
pobres folhas mal vividas
um vento louco as levou.
 
Nasceram na primavera
fê-las Deus da cor da esperança
sonharam uma quimera
serem como as folhas d’ hera
de saudade e de lembrança.
 
Mas chega o verão, o calor,
e as folhas verdes tão belas
vão perdendo o seu frescor
pressentem a sua dor
ficam tristes, amarelas.
 
Ao inverno não chegaram
foram curtas suas vidas
da cor do sangue as pintaram
ventos loucos as levaram
Outono folhas caídas.
[D. António de Bragança / Joaquim Campos]